Sempre que digo que estou em Arqueologia perguntam-me se há saída? Não, não há saída… E quando nem sequer te vês como arqueóloga muito menos haverá. Mas pergunto-me haverá saída para um coração partido?
Eu não vou para o outro lado do mundo, vou estar a umas horas de comboio, mas haverá depois tempo, dinheiro e disponibilidade para estar sempre a vir a Lisboa? Haverá vontade? Tenho medo de o perder ao ir estudar para outra cidade mas ao mesmo tempo tenho medo de não estar a lutar pelo meu sonho no tempo que ainda é certo. Contudo já não sei mais se ser bióloga marinha é o meu maior sonho… Com o tempo ter um futuro com ele tomou o esse lugar!
Posso estar já a pensar demais, provavelmente a sofrer por antecipação, quem sabe se ele ainda estará ao meu lado no início do ano lectivo que vem, quem sabe se eu passarei ao exame, quem sabe se os meus pais concordaram com isso e me apoiarão nesta decisão… Tanta coisa pode acontecer até lá. Mesmo que fique com prova de ingresso e tenha de tomar uma decisão ambos os caminhos me vão deixar incompleta… Se for para Peniche não o vou ter a ele, se não for vou ser para sempre uma pessoa amargurada por não ter concretizado o meu maior desejo profissional.
A minha cabeça anda à roda… Não me consigo imaginar mais de um dia sem o ver, apesar de isso ter acontecido algumas vezes. A saudade quando aperta sufoca tanto o meu coração. E depois quem me diz que não vai aparecer outra caloira que passará a ser a “minha caloira”, como ele gosta tanto de dizer a meu respeito. “As pessoas só entram na nossa vida quando nós as deixamos entrar”, eu sei que não quero mais ninguém a não ser ele até ao final dos meus dias, porque em pouco tempo ele mostrou ser o melhor que há no mundo, tirou de mim o melhor que há em mim, cuidou de mim como nunca ninguém fez, criou momentos que nunca tive oportunidade de criar com ninguém! Em pouco tempo ele pegou nos pedacinhos todos do meu coração gelado e colou-os, aqueceu-o como eu nunca pensei que fosse possível… Eu, ele e um cachorro…. E um gato, um periquito, uma cobra, um esquilo, um ouriço, um jardim zoológico inteiro… Eu e ele na nossa casinha… Eu, ele e o NOSSO futuro…
Mas isso poderá estar tudo comprometido se eu me for embora, deixar isto para trás e começar a estudar para aquilo que realmente quero ser. Porque se isso acontecer eu vou estar a lutar pelo MEU futuro, não pelo nosso… E tanta coisa pode acontecer se eu virar costas e seguir um caminho mais afastado, tanta gente nova e cativante pode entrar na vida dele e arranca-lo de mim. Não sei se conseguiria aguentar.
Estou triste… estou triste porque esta é uma decisão que eu me imponho a mim própria e à qual até ao final deste ano na faculdade vou ter de resolver. É uma questão que eu não quero resolver! Não sei o que fazer, ainda falta muito até lá, sinceramente… E durante esse tempo acho que vou aproveitar um pouco mais os momentos ao seu lado e depois, olha, seja o que o destino quiser! Amo-o mais do que consigo explicar, amo-o mais que a definição da própria palavra, amo-o sem definição, sem limites e não sei o que fazer.
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